Se a proposta do Citroën Basalt Dark Edition é ser um “SUV diferente pelo preço de hatch”, a versão mostra que a marca francesa (atualmente pertencente ao Grupo Stellantis) finalmente começou a ajustar o produto com mais atenção ao que realmente incomodava. Não é uma revolução — mas também passa longe de ser apenas maquiagem. Aliás, o Citroën Basalt nunca teve problema em chamar atenção, pois a carroceria com caída de teto ao estilo cupê já fazia isso sozinha. O ponto é que, antes, o visual prometia mais do que o restante do carro entregava. A Dark Edition muda um pouco essa percepção.

O pacote escurecido não é novidade na indústria, mas aqui ele funciona melhor porque conversa com o desenho do carro. Rodas, logos, teto e acabamentos em preto criam um conjunto mais consistente, enquanto os detalhes em vermelho evitam que o resultado fique genérico. Não é exagerado, nem caricato — algo raro nesse tipo de versão.
Cabine menos simples e mais coerente
É por dentro que o Citroën Basalt Dark Edition mostra evolução real. A crítica ao acabamento básico não foi ignorada, e essa versão esportiva traz uma cabine mais bem resolvida visualmente.

Superfícies escurecidas, costuras contrastantes e tecidos melhoram a percepção geral, ainda que os plásticos rígidos continuem dominando. Não virou referência, mas deixou de parecer um carro “inacabado”.
Mais importante que estética, algumas decisões práticas finalmente foram corrigidas. A realocação dos comandos dos vidros traseiros para as portas é o tipo de mudança simples que faz diferença no uso diário — e mostra que houve escuta ao consumidor.

Ainda assim, a ergonomia do Citroën Basalt Dark Edition não é perfeita. Alguns botões continuam mal posicionados, escondidos na região inferior do painel, exigindo desvio de atenção. Soma-se a isso a ausência de ajuste de profundidade do volante dificulta um pouco a tarefa de encontrar uma posição de dirigir ideal para diferentes biotipos.
Tecnologia do Basalt Dark Edition
A central multimídia cumpre o básico com eficiência. Conectividade com Android Auto e Apple CarPlay funciona bem, sem travamentos relevantes, mas a interface é simples e pouco explorada.

Considerando o pacote geral, ele é honesto para a faixa de preço, com itens importantes de conforto e conveniência. Por outro lado, a lista de segurança revela um limite claro de projeto: apenas quatro airbags e a ausência de assistências mais avançadas colocam o modelo atrás de alguns concorrentes mais atualizados.
Equilíbrio como principal virtude
Debaixo do capô do Citroën Basalt Dark Edition, nenhuma surpresa — e isso não é um problema. O conhecido motor 1.0 turbo da família T200, aliado ao câmbio CVT, entrega exatamente o que se espera: eficiência e boa resposta em uso urbano.

O destaque está no acerto. Diferente de outros modelos do mesmo projeto, esse Basalt encontra um meio-termo mais convincente entre conforto e controle de carroceria. A suspensão filtra bem o piso ruim sem parecer excessivamente molenga, e o conjunto transmite segurança mesmo quando exigido um pouco mais.
Com carga completa, o desempenho continua adequado. Não há sensação de esforço exagerado, e o torque em baixa rotação ajuda bastante no dia a dia.

Posicionamento do Basalt Dark Edition
Se há um ponto que ainda denuncia o posicionamento do Citroën Basalt Dark Edition, é o refinamento. Vibrações do motor e isolamento acústico aquém do ideal aparecem com frequência, especialmente em acelerações mais fortes.
Não chega a comprometer o uso, mas reforça a percepção de que houve contenção de custos — algo que fica mais evidente quando comparado a modelos que usam o mesmo conjunto mecânico dentro do próprio grupo.

Espaço é um argumento forte
Onde o Basalt praticamente não tem discussão é em espaço interno e porta-malas. A cabine acomoda bem quatro adultos, com folga acima da média do segmento, e o porta-malas é um dos maiores da categoria.
Para quem prioriza uso familiar ou versatilidade, esse conjunto do Citroën Basalt Dark Edition continua sendo um dos principais diferenciais do modelo.

Consumo do Basalt Dark Edition
Na prática, o conjunto entrega números coerentes com a proposta. Em uso misto, mantém médias competitivas, sem surpresas negativas — outro ponto que reforça o caráter racional do carro.
A versão Dark Edition não muda o Basalt — ela melhora o Basalt. Corrige pontos importantes, eleva a percepção de qualidade e deixa o produto mais alinhado com o que o visual sempre prometeu. O modelo se posiciona como uma escolha consciente: não é o mais tecnológico, nem o mais refinado — mas entrega espaço, eficiência e estilo por um valor difícil de ignorar.
Texto e fotos: Eduardo Aquino

Ficha Técnica
Motor – Dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 999cm³ de cilindrada, turbo e injeção direta de combustível, flex, que gera potências de 125cv (gasolina) e de 130cv (etanol) a 5.750rpm e torque de 20,4kgfm (gasolina ou etanol) a 1.750rpm
Transmissão – Tração dianteira e câmbio automático do tipo CVT com sete marchas simuladas
Direção – Assistência elétrica
Suspensão – Dianteira, independente, do tipo McPherson; e traseira, do tipo eixo de torção
Dimensões – Comprimento, 4,34m; largura, 1,74m; altura, 1,58m; e entre-eixos, 2,64m
Altura mínima do solo – 20,8cm
Ângulo de entrada – 20,5°
Ângulo de saída – 28°
Freios – Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Rodas e pneus – Rodas de liga de 16 polegadas, calçadas com pneus 205/60 R16
Porta-malas – 490 litros
Tanque – 47 litros
Peso (em ordem de marcha) – 1.191 quilos

Equipamentos
Uma porta USB tipo A de recarga e dados e tomada 12v no painel, duas portas USB tipo C de rápido carregamento para 2ª fileira, quatro airbags (frontal condutor e passageiro e laterais dianteiros), antena dianteira e seis autofalantes, ar-condicionado automático e digital, assistente de partida em rampa – Hill Assist, banco do motorista com ajuste de altura e apoia braço, bancos com revestimento premium na cor preta, bancos traseiros rebatíveis com isofix e top tether (fixação para cadeiras de crianças), Bluetooth, chevrons e logos escurecidos, câmera traseira, capa do retrovisor em preto brilhante, detalhes na cor “Andre Red” na grade frontal e na coluna C, direção elétrica com ajuste de altura, DRL em LED, faróis de neblina, interior escurecido, monitoramento da pressão dos pneus, logotipo “Dark Edition”, modo Sport, sistema multimídia Citroën Connect touchscreen com tela de 10 polegadas (espelhamento Android Auto e Apple CarPlay sem fio), maçaneta externa pintada na cor da carroceria, moldura de caixa de roda e lateral de carroceira, moldura preta nos vidros, protetor inferior de para-choque dianteiros e traseiros (skid plates), painel de instrumentos digital em TFT de sete polegadas, controle automático de velocidade, painel de bordo com revestimento premium, pedaleiras esportivas, protetor de soleira exclusiva “Dark Edition”, rodas de liga leve de 16 polegadas tipo “urban” pintadas de preto, sensores de estacionamento traseiro, spoiler, tapete de carpete, volante com ajuste de altura, volante com controle de áudio e comandos do piloto automático, volante com revestimento premium e costura aparente vermelha, porta-objetos no painel com pintura escurecida e protetor inferior de para-choque dianteiros e traseiros (skid plates) escurecidos.
Preços
R$ 129.890,00. Com a pintura em Cinza Grafito (R$ 1.990,00), sobe para R$ 131.880,00.

