Andamos no Jeep Renegade Sahara MHEV, uma das versões com sistema híbrido leve de 48 volts do SUV compacto da Jeep, que sempre conquistou pela sensação de robustez, pelo comportamento dinâmico e por uma identidade visual com personalidade. Com um novo cenário, onde a eletrificação deixou de ser tendência para se tornar realidade e a concorrência ficou mais sofisticada, o Renegade passou pela atualização mais importante desde o lançamento. O visual foi refinado, a cabine recebeu mudanças profundas e, pela primeira vez, o SUV adotou um sistema híbrido leve de 48 volts, que, embora não melhore a performance, trouxe uma melhor eficiência para um modelo que se destaca pela excelente dirigibilidade, suspensão refinada e design original.

As alterações externas do Jeep Renegade Sahara híbrido foram discretas, mas suficientes para atualizar a aparência. A grade de sete fendas ganhou desenho mais fechado, os para-choques foram redesenhados e a assinatura luminosa em LED ficou mais moderna. Ainda assim, basta um rápido olhar para reconhecer o Renegade.
Essa continuidade faz sentido. O modelo sempre vendeu justamente por fugir do padrão adotado pelos demais SUVs compactos. Linhas retas, para-lamas marcados e proporções quase quadradas continuam transmitindo a impressão de um utilitário muito mais preparado para enfrentar terrenos difíceis do que realmente exige a rotina urbana.

Embora a maioria dos compradores jamais coloque o carro na terra, a sensação de solidez continua sendo um dos principais argumentos do modelo.
Interior do Renegade Sahara
O habitáculo do Jeep Renegade Sahara finalmente acompanha os tempos atuais. A maior transformação está na cabine.
Inspirado nos SUVs maiores da Jeep, o painel ganhou desenho horizontal, enquanto a nova central multimídia elevada melhora significativamente a ergonomia. A tela responde rapidamente aos comandos, possui boa definição e finalmente ocupa uma posição mais confortável para consulta durante a condução.

Mais limpo e sofisticado, o novo console também melhorou visualmente o ambiente. A sensação inicial é de um carro mais moderno.
Algumas concessões
Mas a evolução veio acompanhada de algumas concessões. Materiais emborrachados que durante anos diferenciaram o Jeep Renegade Sahara dentro da categoria deram lugar a plásticos rígidos em diversas áreas. Tecidos aplicados no painel e nas portas ajudam a amenizar essa percepção, porém não substituem completamente a qualidade tátil do acabamento anterior.

Não chega a comprometer a experiência, mas quem conhecia as primeiras versões percebe claramente a redução no requinte.
Equipamentos do Renegade Sahara
A versão Sahara oferece um pacote bastante competitivo. Entre os destaques estão teto panorâmico, ar-condicionado digital de duas zonas, carregador de celular por indução refrigerado, painel digital, bancos revestidos em couro, alerta de ponto cego, frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa.

Sob o capô, está a principal novidade do Jeep Renegade Sahara: o conhecido motor 1.3 Turbo Flex de 176cv, que recebeu o auxílio de um sistema elétrico de 48 volts formado por um pequeno motor-gerador que substitui alternador e motor de partida.
Entendendo a proposta
Ao contrário dos híbridos convencionais, o sistema nunca movimenta o veículo sozinho. Toda a tração continua sendo responsabilidade exclusiva do motor a combustão.

Na prática, o conjunto elétrico atua oferecendo assistência em arrancadas, retomadas suaves e durante o funcionamento do sistema start-stop, reduzindo o esforço do motor principal e melhorando a eficiência energética.
Ao contrário de outros híbridos, não há silêncio absoluto em manobras ou deslocamentos puramente elétricos.
Consumo do Renegade Sahara
Durante a condução diária, percebe-se que as saídas acontecem com maior suavidade e o funcionamento do conjunto ficou mais refinado. As respostas são ligeiramente mais progressivas, principalmente em deslocamentos urbanos

O peso elevado do Jeep Renegade Sahara — superior a 1,5 tonelada — continua sendo um fator determinante. Em acelerações mais fortes ainda é necessário exigir bastante do acelerador para obter respostas mais rápidas.
A competência do motor T270 permanece, mas o sistema híbrido leve não elimina completamente a sensação de atraso inicial em determinadas retomadas.

Onde a eletrificação realmente mostra serviço é na redução do consumo. No uso cotidiano é possível perceber uma melhora consistente em relação ao Renegade convencional, especialmente em percursos urbanos com trânsito intenso. Não são números capazes de competir com híbridos completos, mas representam um avanço importante para um modelo que nunca teve a economia como principal atributo.
Dinâmica é referência
Se existe um aspecto em que o Renegade continua praticamente imbatível entre os SUVs compactos é o acerto dinâmico. A suspensão independente nas quatro rodas continua entregando um equilíbrio raro entre conforto e estabilidade.

O Jeep Renegade Sahara absorve irregularidades com competência, transmite segurança em curvas rápidas e mantém aquela sensação de robustez que poucos concorrentes conseguem reproduzir. A direção permanece precisa, enquanto o conjunto estrutural transmite uma percepção de carro sólido, mesmo em pisos bastante deteriorados.
Espaço do Jeep Renegade
A idade do projeto aparece principalmente no espaço do banco traseiro, que é um pouco reduzido e o banco central permanece mais indicado para trajetos curtos. O porta-malas (de 385 litros) tem capacidade apenas razoável para um SUV desse porte.

Resumindo
O sistema híbrido leve entrega exatamente aquilo que promete: melhora moderada na eficiência, funcionamento mais refinado e pequenas reduções nas emissões. Não representa uma revolução tecnológica nem aproxima o Jeep Renegade Sahara da experiência oferecida por híbridos convencionais.
As mudanças no interior modernizam a cabine, embora a simplificação de alguns materiais impeça uma evolução ainda maior na percepção de qualidade. A dirigibilidade continua acima da média, a suspensão segue como uma das melhores da categoria e a sensação de robustez permanece sendo um diferencial em um mercado dominado por SUVs cada vez mais parecidos entre si.
Em compensação, o preço elevado, o espaço interno limitado e a ausência de alguns equipamentos ainda pesam contra.
Texto e fotos: Eduardo Aquino

Ficha Técnica
Motor – Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 1.332cm³ de cilindrada, turbo e injeção direta de combustível, flex, que gera potência de 176cv a 5.750rpm e torque de 27,5kgfm a 2.000rpm
Transmissão – Tração dianteira e câmbio automático de seis marchas
Direção – Assistência elétrica
Suspensão – Dianteira, independente, do tipo McPherson; e traseira, independente, do tipo McPherson
Dimensões – Comprimento, 4,27m; largura, 1,80m; altura, 1,70m; e entre-eixos, 2,56m
Altura mínima do solo – 20,8cm
Ângulo de entrada – 25,5°
Ângulo de saída – 31,8°
Freios – Discos nas quatro rodas, sendo ventilados na dianteira e sólidos na traseira
Rodas e pneus – Rodas de liga de 18 polegadas, calçadas com pneus 225/55 R18
Porta-malas – 385 litros
Tanque – 55 litros
Peso (em ordem de marcha) – 1.531 quilos

Equipamentos
Acendimento automático dos faróis, Adventure Intelligence, comutação automática dos faróis, faróis de neblina, frisos laterais na cor do veículo, sensor de chuva, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, teto pintado em preto, teto Solar Elétrico e Panorâmico Command View, servicos conectados, banco motorista com regulagem elétrica (assento em 8 posições), ajuste do volante em altura e profundidade, sistema multimídia com tela de 10,1 polegadas, com Adventure Intelligence Plus e Apple Carplay e Android Auto com espelhamento sem fio; ar-condicionado digital dualzone, aviso de mudança de faixas, bancos em couro, câmera de ré, comandos do sistema de áudio e bluetooth no volante, controles eletrônicos de tração e estabilidade, controle eletrônico anti-capotamento, detector de fadiga do motorista, entrada USB para os ocupantes do banco traseiro, faróis Full LED com assinatura em LED, frenagem autônoma de emergência, assistente de partida em rampa, Jeep Healthy Cabin, Jeep Traction Control+, lanternas em LED, luz de rodagem diurna (DRL) em LED, monitoramento de pontos cegos, Panic break assist, controle automático de velocidade, quadro de instrumentos de alta resolução TFT de sete polegadas personalizável, rack do teto na cor preta, reconhecimento de placas de trânsito, seis airbags (frontais, laterais e de cortina), monitoramento de pressão dos pneus, sistema Start&Stop, USB Tipo C, volante com acabamento em couro e carregador do celular por indução.
Preços
R$ 175.990,00. Com pintura perolizada (R$ 2.500,00), sobe para R$ 178.490,00.


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